quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Chamados



A realidade chama
o sonho
  desconversa
apara as arestas
reclama outro tempo.

O sol a rua a latrina
    tudo chama
enquanto céu neblina
                            valsam
no hemisfério se equilibram

O beijo o sexo a moça
            chama
sente arde as chamas
é mais um round
mais uma paixão.

O vazio a brasa o vento
             manda
o eco da lembrança
vandalizar
outro dia
outra hora
agora!

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Amarras



Soltei as amarras
do peito bravio
das palavras tolas ungidas
Soltei
o tempo perdido no pasto de sonhos
as palavras tolhidas no canto
da boca inocente
do brilho intermitente...
soltei
os embaraços patéticos
que abrigavam teu corpo...
soltei
o rumo de algum poema tomei
larguei o cais de dúvidas
e viajei pelo mar de despojos...
soltei
e apenas regi meus medos
pra longe dos olhos
que me prometiam
e nada cumpriam...
soltei...nunca mais voltei.

domingo, 29 de setembro de 2013

Senão



Olhando assim
posso entender
não ter sido em vão
tanto mar
tanto bar
tanto senão...

Sem dono



Em você
pude nadar
sem limites
e descobrir
o sabor do tombo
o labor do sonho
o torpor insano
de uma paixão sem dono.

Vazio



De volta ao vazio
a casa desarrumada
os livros sem letras
discos sem notas
despensa vazia
a vida vazia
pronta prum novo começo.

Ana, adeus!



Ana
tentei ficar contigo
e nada pôde segurá-la...
nossos mundos tão insanos
colidiram e deixaram sangue...
não cabemos em nossos egos
não podemos habitar planetas tão distintos
vivemos em projetos
temporais distantes
não sabemos o sentido
- ou não entendemos
o balé de dúvidas
que bailam na noite fria.
Ana adeus!
Apenas isso e
nada mais.

Ontem



Ontem
tudo caiu
os sonhos largaram-se
as palavras perderam-se
ficaram tontas
em algum lugar
do Centro Catete
algum lugar...
tudo saiu e se perdeu
os sonhos apanharam
levaram choques
foram tripudiados...
ontem tudo travestiu-se de nada
a verdade se impôs
mandou calar a boca
o sexo
a verborragia atônita
e amorfa...
ontem a realidade tocou a campainha
entrou sem licença
instalou-se na nostalgia...
nada mais foi o mesmo.
Tudo se foi
ontem!