domingo, 11 de novembro de 2012

Te vejo


Vejo-te onde
só minha lembrança
sabe...
Um copo
Um passo
Um caderno azul
um frasco de perfume roubado...
uma necessidade eterna
de te amar...
amar sem culpa e medo.

Foi ontem



Foi ontem que  pintei o mar.
Foi ontem quando sereia
vieste em brisa
branca vela
trazendo sonhos maresias
abrolhos de lembranças
cartas em conchas
segredos em espumas
promessas em grãos -
finos finos
que não cabiam mais
em nossas mãos.

Cachos



Ainda me encontro
em teus cachos
espalhados em meus olhos
que tintam ver-te
amante bacante
ameixa boca
tonta silhueta...
Enquanto o silêncio
pinta a sua ausência
esconde meus destinos
em pastas
e potes de vidros...
penso o quanto de amor ainda guardo
para perto
tocar os cachos
que meus olhos se deixam levar.

A vida em gole


A vida em goles é festa.
A vida
que passa na fresta
das noites perdidas
sorrisos sem véu...
A vida tonta
escorregadia
a vida
metade em latas
garrafas
medidas...
a vida em transe
em troço
bagulho louco
horizontes sem norte...
a vida em dose
necrose
de felicidade
que fede...
é vida?

sábado, 29 de setembro de 2012

Sem sorte...



Agora sei os motivos
entendo o sete
rabiscado no vidro
tuas lágrimas escorridas no piso
a paixão espalhada na cama
as digitais sobre os dramas
a sorte partida
na geladeira...

Trapaça


Você ali dizendo amor
sem som ou notas.
Você abrindo a cor
do brinde beijo
trapaça mimética
da sua saudade
sem quilometragem
ou dor.

Jiló



Você assim jiló
espalhou em mim
um frevo passado
estiagem de agosto
imagens de rostos
estranhos em nós.