Agora sei os motivos
entendo o sete
rabiscado no vidro
tuas lágrimas escorridas no piso
a paixão espalhada na cama
as digitais sobre os dramas
a sorte partida
na geladeira...
Quem se corrompe
esquece o preço
que se paga pela vida
esquece a fila das noites
consumidas na espera
do remédio que não vem
do médico que não tem
da escola que é refém
da verba sem dia ou data
da merenda sem gosto
cara e remediada...
sim quem se corrompe
pelo voto
pelo sorriso
pela vantagem...
mata alguém sem rosto
no silêncio das estatísticas
que rotulam entidade
governo
sem meio termo
sem meias vítimas.
Aquela última
foi o início
do fim que começara
antes da última bofetada
antes do último cuspe...
sim ali começou
a partida
a porta fechada
a cara amarrada
pelas mãos marcadas.
Ali ficou o até breve
nas barras da lei
aqui ficou
um agora sei...
nada se faz sem lutar.