terça-feira, 1 de maio de 2012

Beleza americana



A imagem do pecado
a antítese de qualquer castidade
o paradoxo da modernidade amorosa...
Quero essa vida pra mim
nessa imagem profanar
virtudes e sermões.
Mergulhar até o fundo
trazer os mistérios da mentira
contada como verdade...
 beijar roçar possuir
a liberdade ateia
de uma beleza outrora encantada.

Hoje e sempre



Que o sorriso brilhe sem culpa.
Que os miseráveis lucrem
o direito de viver.
Que cada casa faça seu pão
teça sua roupa
germine o grão.
Que cada homem tenha o direito
a vida e ao trabalho
que possa colher dignidade no seu quintal
dividir entre seus filhos...
Que a vida nos alimente com frutos
cure nossas dores
e devolva em cada aurora
o direito de viver feliz.
Que assim seja
hoje e sempre...

Frio pede...



Frio pede...
abraços conjugados
prazeres consumados
palavras a dois caladas
corpos a dois enroscados
bocas tenras unidas
calor entre seres trocados
segredos juntinhos molhados
janelas fechadas veladas
o tempo lá fora parado
relógio no canto quebrado
computador e outras dores desligados
um amor eterno ao lado.

Vamos ao café?



Queria te beber assim agora
enquanto o frio dança lá fora
as ruas se fecham em calafrios
e as horas parecem medrar
diante de qualquer desafio.
Queria te beber um pequenas doses
em experiências devassas
irrigando minha libido
entorpecendo meu espírito...
Queria beber sem dó
sem dor
já não consigo
o prazer turva meus sentidos.
Só vejo prazer
onde se inscreve proibido.

Era uma vez...



Era uma vez um sonho
pautado na dor da labuta
no cansaço dos dias
na vontade de tirar o choro dos filhos.
Era uma vez um movimento
espalhado em sonho
pelos quatro cantos...
havia a promessa de justiça
o desejo de liberdade
a vontade da fraternidade.
Era uma vez
bandeiras vermelhas
gente barbuda
palavras de protesto
sentimendo transformados em gestos.
Era uma vez
foice martelo estrela
esta de todas a mais sincera
e primeira
de levar o trabalho ao capital.
Era uma vez
um sonho quebrado em realidade
a mesa posta em troca de breu.
Era uma vez
a realidade maior que tudo...
embrulhando nossa decepção
em papel vagabundo
rasgando cartazees
palavras de protestos.
Era uma vez
a ficção se vendendo à realidade
a dignidadade fazendo michê
por qualquer trocado...
Essa vez ainda está aí
levando nosso sonho
endividando com o capital
tornando-nos escravos de novos senhores
em nome da alegria
em nome do possuir
mas sem nada ter.

Comemorar o quê?



Onde estão os direitos?
"Dentro de alguma gaveta"
Onde estão nossas palavras?
"Dentro de alguma ata"
Onde estão nossos protestos?
"Em alguma foto da história por aí"
Onde estão os nossos gritos?
"Viraram  sorrisos em algum jantar"
Onde estão nossos sonhos?
"Largados em alguma lixeira da vergonha"
Onde estão nossos irmãos de lutas?
"Votando leis dissimulando trocando..."
Onde estão nossos ideais?
"Vendidos ou trocados por barganhas..."
Onde ficamos na História?
"Agora produtos de bolsas agrados e cortesias
sem prestação de contas"
Valeu ser assim!?

Dia do trabalho



No Dia do Trabalho
desejo que todo trabalho
ESCRAVO
seja eliminado na prática
sem projetos de lei
sem hipócritas autoridades...
Não quero comício
cestinhas ou tapinahas
apenas dignidade pras crianças
que enfrentam misérias
nos sinais
nas minas
nas pedreiras
nos canaviais...
O trabalho pertence aos adultos
às crianças permitamos a infância.